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OPINIÃO DO PROFESSOR MARCO AURÉLIO
Quinta, 28 Setembro 2017 04:22

OPINIÃO DO PROFESSOR MARCO AURÉLIO Destaque

GOSTO DE ANDAR DE TREM. LÁ TEM AULA DE BRASIL

Na foto, Trens novos prometidos por Alckmin tomam sol e chuva a espera de testes em Hortolândia. Fonte: Folha de SP

Gosto do trem. Tenho com ele uma relação antiga, desde criança. Quando morava na Vila Militar em Quitauna. Lá tínha o trem japonês, verde e supermoderno para a época, mas que tinha banheiro pensado só para homens. Aliás, acho que o transporte ferroviário – traduzido em trens e metrôs – é o ideal para as grandes e medias cidades brasileiras. Combate congestionamentos e a poluição urbana, além de dar um novo ritmo à mobilidade urbana.

Quando faço viagens de Osasco para São Paulo, vejo no trem da FEPASA uma aula de Brasil. tem moça vendendo carteira de couro, rapaz oferecendo chocolate ou salgadinhos, outro vendendo pen drive ou alguma ferramenta para celular e gente um pedindo esmolas. Sempre aparece uma novidade. Na viagem de hoje, teve até uma dupla de repentistas (novidade), tocando e cantando repentes na viagem.  

A moça, antes de começar a oferecer suas carteiras diz: primeiramente, bom dia. Pensei que ela ia dizer: “primeiramente, fora Temer”. O que pede esmolas conta, rapidamente, sua história de vida antes de pedir moedas para sua sobrevivência. O jovem que vende pen drive mostra a todos no carro o quanto é bom e barato seu produto.  Há outro jovem negro que vende chocolates por R$ 1,50, e vende muito.

Necessidades modernas. Tomadas para carregar celular na Estação Pinheiros. O grande Capital das multinacionais de celular usando sua estratégia de ampliar seu lucro, numa aparente “cortesia ao consumidor”.

Mas a dupla de repentistas roubou a cena da manhã.  Cantaram, fizeram piadas sobre a irmã de um deles, que queria casar mas já teve muitos namorados; foram machistas. Recorreram ao Piauí, destacando o calor e o fato do milho das galinhas já ter virado pipoca por causa do calor e da seca. Por fim, um deles disse:  - vamos cantar sobre o Aquecimento Global, brincando   que o Temer vai criar uma lei cobrando dez reais de cada cidadão, para combater o aquecimento global no Brasil.

Engraçado, mesmo com a modernização da ferrovia em São Paulo, tem até carregador de celular, a realidade dos que lutam para sobreviver insiste e se manter viva. Esses personagens estavam lá últimas nas últimas décadas do século passado e continuam lá. Foi outra geração, mas os problemas continuam os mesmos. O capitalismo no Brasil continua excludente, como diz Caetano Veloso, nossa elite não abre mão de nenhuma conquista, se for para dividir sua riqueza com a imensa maioria de pobres no Brasil. Taí o Centrão do Governo Temer que quer reduzir territórios indígenas, vender a Amazônia e mudar a Previdência, como se fosse a solução para “mudar” o Brasil. E se pudessem, rasgariam a Constituição Brasileira de 1988.

A realidade ao longo da ferrovia. Pobreza permanece há décadas.

Modernização “Conservadora”, sem mudar a exclusão brasileira.

Marco Aurélio Rodrigues Freitas é jornalista e professor das redes municipal e estadual de São Paulo. Escreve todas as semanas no site Planeta Osasco. 

Autor

Redação