"Nós não tomamos banho, passamos frio, fome e sede", conta brasileiro ilhado em Machu Picchu
Matéria de Talita Boros
Do UOL NotÃcias
O radialista Filipe Cury, 21, é um dos 200 brasileiros que estão ilhados na cidade de Aguas Calientes, localizada aos pés do sÃtio arqueológico do Machu Picchu, em decorrência das chuvas e enchentes na região. "Aqui está um caos. Nós não tomamos banho, passamos frio, fome e sede", contou ao UOL NotÃcias, pelo telefone.
O café da manhã desta terça-feira (26) dos cerca de 1.800 turistas "moradores" da estação de trem da cidade foi um pão e um copo de suco, de acordo com Filipe. Para o almoço, depois de fazerem um pequeno protesto por mais alimento, receberam mais um pão.
Filipe contou que a maioria dos turistas dorme nos vagãos dos trens, enquanto os helicópteros do governo peruano não chegam para resgatá-los. Todos receberam uma pequena manta que, segundo Filipe, "não cobre nem a metade do corpo e não é suficiente para nos aquecer do frio de -10° C que faz lá fora".
Os homens da PolÃcia Nacional Peruana agora controlam a entrada e saÃda dos estrangeiros da estação. "Os policiais que ficam nos acessos ao prédio falam que se a gente quiser sair pode sair,
mas que não vamos conseguir voltar. O clima está tenso", contou o radialista.
Segundo Filipe, desde ontem, pouco mais de 100 pessoas foram retiradas pelos helicópteros enviados pelo governo peruano. A maioria era de crianças e idosos. O governo peruano prometeu o envio de quatro a cinco helicópteros ainda nesta terça-feira. Até às 17h30 desta tarde, o terceiro havia acabado de pousar no estádio da cidade.
A esperança de Filipe é conseguir um local apropriado para dormir na noite de hoje. "A maioria dos hotéis e albergues triplicou os preços para lucrar em cima do alagamento, mas esperamos conseguir algum lugar já que muitas pessoas foram retiradas".
Outros brasileiros
"Por enquanto, a situação não é desesperadora, mas é bastante crÃtica. Tudo o que eu quero é voltar com minha famÃlia para o Brasil". Com essa frase o contador catarinense Mauro Antônio Fornazari, também ilhado na região de Machu Picchu há três dias em decorrência das fortes chuvas, resumiu a conversa com o UOL NotÃcias pelo telefone. Ele, a mulher e os dois filhos foram passar as férias no Peru e também estão presos na cidade de Aguas Calientes, à espera do resgate.
Mauro, a famÃlia e mais cinco pessoas estão dormindo em uma casa de dois pavimentos na cidade. "Nós (nove pessoas) dormimos em dois colchões. Estamos sem banho e, por enquanto, não há falta de alimento". No entanto, o catarinense disse que a cidade começa a dar sinais de que pode faltar comida.
"Nós tÃnhamos esperança de que os helicópteros viessem nos resgatar ainda hoje [terça, 26], mas a chuva não para", disse o contador. "A ferrovia está bloqueada, mas talvez nós tentaremos ir a pé. A caminhada é de oito a 10 horas até Cusco", completou.
Segundo a empresa PeruRail, que administra a rota ferroviária Cusco - Machu Picchu, que foi bloqueada em vários pontos devido aos deslizamentos provocados pelas chuvas, o trânsito de trens deve ser restabelecido nesta terça-feira (26) em parte do trajeto.
A PeruRail também afirmou que alguns turistas decidiram deixar Machu Picchu a pé. "Ao transitar pela via colocam em risco sua segurança. Por isso pedimos calma e que permaneçam em Machu Picchu até que as condições de evacuação sejam adequadas", diz a empresa.
Um grupo de sete estudantes do curso de Relações Internacionais da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), também isolado em Aguas Calientes, está com dificuldades de entrar em contato com a famÃlia no Brasil.
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